Follow Us

Vamos cantar!

Vamos cantar!

À conversa com Ricardo Reis Pinto, músico e compositor

 “O Rato Vitorino”, “A Girafa” ou “Vamos Dançar”. Já está a trautear as músicas? O Ricardo Reis é o compositor e músico responsável por muitas das músicas que colocam os miúdos a cantar e a dançar. E tem histórias de escolas, de pais, de programas de televisão e até de casamentos!

“Quando comecei a trabalhar com crianças na escola comecei a perceber que não tinha muitas músicas para trabalhar com um papel didático, informativo. Então comecei a fazer as minhas próprias músicas!” A escola apostou nele e Ricardo Reis Pinto colocou a sua criatividade e talento sob a avaliação dos mais pequenos. É para eles que cria. “As crianças têm uma memória afetiva da música. As crianças são mais sensíveis aos sons e nelas as músicas ainda têm mais impacto.”

Uma afinidade que o próprio Ricardo já sentia em pequeno. “Sempre fiz campos de férias em miúdo e aí há uma grande componente musical. Eu aprendia lá e levava para o dia a dia. Chegava a alterar algumas letras. E era muito frequente na escola primária a minha professora colocar-me a cantar para os miúdos da escola. Para lhes ensinar as músicas.”

Depois veio a guitarra, o coro, as missas e os casamentos. No meio caminho da adolescência Ricardo tornou-se professor de guitarra. E o mundo da música infantil apareceu-lhe de convite. “Houve um dia em que fui a uma escola entregar um panfleto a dizer que dava aulas de guitarra em casa dos alunos e a diretora convidou-me para ir tocar à festa de Natal para as crianças. Fui tocar e gostaram da forma como eu estava com as crianças. Correu bem e perguntaram se eu não queria fazer aquilo de forma regular. Eu disse que sim!”

Com a prática veio a perceção de que precisava de criar material para as suas aulas: “Comecei a perceber que havia necessidade de despertar a curiosidade pelo som nos mais pequenos. Assim nascem músicas dos animais, de bater palmas, tocar na cabeça… Muito simples mas que fazem a introdução à língua e aos conceitos. Dos 2 aos 3 anos já trabalho conceitos como o que é grande ou pequeno, como a música da «Formiga e do Elefante», ou o calmo ou agitado”.

As mensagens por detrás das músicas

Não ter medo do escuro, dar asas à imaginação, ser corajoso. Todas as músicas de Ricardo têm um propósito pedagógico, uma mensagem a transmitir. “Mesmo que não esteja explícito, está implícito. Como na música do «Peixinho Barrigudo», que tem medo de ir ao fundo mas os amigos são fortes e ensinam-no como fazer. O que quer mostrar é que apesar de sentirmos receios conseguimos superá-los. Tento anular receios do mundo das crianças. Dar-lhes a possibilidade de terem a coragem de arriscar. Por exemplo, a música do «Mocho» trabalha o medo do escuro. A da «Girafa» é um hino à imaginação.”

As crianças e o ensino são o propósito que o inspira a criar. “A minha música nunca teve um caráter muito comercial. Quando comecei a fazer foi para trabalhar para os miúdos.”

Mas como surgem as ideias? “Normalmente há um tema. Começo a fazer uns versos e depois a letra/história vai-se definido ao longo do caminho. Regra geral é assim que faço.”

E é a arte de outros que muitas vezes o inspira, ou não tenha sido a primeira letra criada numa aula de História de Arte! “Costumo dizer que a inspiração quando chegar vai-me encontrar a trabalhar. Por exemplo, o filme «Her» tem uma música que fala sobre a lua. Na altura nem me apercebi disso. Mas a emoção do filme marcou-me. E uma hora depois comecei a escrever uma música sobre a lua. Estar a usufruir da arte dos outros estimula-me a criatividade. E só uns dias depois me relembrei que escrevi logo a seguir ao filme. Foi algo que ficou no subconsciente.”

Vem daí brincar ao Peter Pan!

Dá aulas em creches e jardins de infância, fora eventos e festas onde os miúdos o acompanham, cantam e fazem as coreografias. “Estou sempre de forma descontraída. Eles não são diferentes de nós. É essencial tratá-los de igual forma e não como seres que não entendem.”

E claro, também podem cantar e dançar em casa. O livro/CD “Vem daí” teve duas edições e surgiu mais uma vez de forma espontânea. “Num Natal achei que seria giro gravar uma maquete para os pais (dos alunos) poderem ouvir em casa com as crianças. Um dos pais, com contactos na Valentim de Carvalho, levou o cd para apresentar. Marcámos uma reunião e ficou planeado começar a trabalhar no projeto. Entretanto eu era professor dos filhos da Catarina Furtado. Ela foi ter comigo um dia à escola a dizer que adoravam as músicas e que eu devia fazer algo com elas. E assim surgiu tanto a participação da Catarina no «Vem Daí», como a minha presença no programa «Quem tramou Peter Pan», que ela fazia na altura.”

Na televisão, a abordagem era a mesma que em sala de aula. No final de cada programa, as crianças sentavam-se no chão e cantavam as músicas. O último programa teve uma música especial. “A Catarina pediu-me para criar uma música e eu fiz o tema «Peter Pan». E acabámos o programa num momento de festa, com penas de almofadas por todo o lado. Foi muito giro!”

“Não me conheciam mas pediram a minha música”

“As crianças são um público mais seletivo e sincero, não necessariamente mais difícil. Mas eu sempre tive a possibilidade de testar as músicas nas aulas. As que não tinham grande impacto eu não usava mais.” Entre as escolhas há as favoritas dos miúdos. As que criam as histórias que marcam.

É comum os pais enviarem vídeos dos filhos a cantar as suas músicas ou mesmo as educadoras. “No Natal passado houve uma escola que usou a música da «Estrelinha», que o coro da escola cantou. Decidi fazer uma surpresa e ir lá. A professora juntou-os e eles cantaram a música. E a seguir eu não conseguia falar! Foi tão bonito ouvi-los. Foi pura emoção. Sentirmos que as nossas palavras deixam nos outros memórias, que a relação com a música provoca neles sentimentos, é algo extraordinário.”

E até nos casamentos às vezes existem surpresas. “Estava a colocar música e vieram umas meninas, de 6 ou 7 anos, pedirem-me para pôr uma música. Elas diziam que era aquela do «salto para a frente e para trás». Era a minha música! Elas não me conheciam. Depois tiveram a dançar a música e foi muito giro. Foi uma surpresa.”

O Pai Ricardo

Par além de compor para os alunos hoje também compõe para os filhos. O Kiko é o mais velho, com 2 anos, e os gémeos Diogo e Vasco têm 3 meses. “Depois de ter sido pai há mais emoções. Já fiz uma música num formato diferente, como se fosse o Kiko a falar sobre o pai. Quem me dera a mim que ele usasse as palavras que eu escrevi agora para definir exatamente aquilo que ele sentirá daqui a uns anos.”

Para além do formato em CD do “Vem daí”, as músicas do Ricardo podem ser ouvidas no Spotify, Youtube, Google Play Music e Deezer. Para já não existe um plano definido mas o 2º CD irá aparecer. “Há um objetivo de um 2º CD mas não está definido no curto prazo. Eu tenho as coisas estruturadas mas não projeto muito. Tudo a seu tempo. Vamos ver o que o futuro trará.”

Pikme

Posts Relacionados
Sem comentários

Faça um comentário