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Educar a ser feliz. As chaves do sucesso!

Educar a ser feliz. As chaves do sucesso

À conversa com Joana Magno, professora e coordenadora de 1º ciclo, facilitadora de Parentalidade Consciente.

Nesta sala de aula não há tabelas de comportamentos. Há quem ria e há quem chore. Há mimo e aprendizagem. Há muito trabalho no chão. Há laços de confiança que se criam para que todos os medos e receios de pais e crianças na entrada para um novo escolar, para um novo ciclo, sejam ultrapassados. Estivemos à conversa com Joana Magno, professora e coordenadora de 1º ciclo, mãe e autora do blog “Parentalidade Consciente”.

“Uma sala de aula é como se fosse uma família numerosa! Assim, tal como numa família há um elemento que precisa de mais afeto ou atenção, na turma é a mesma coisa. Geralmente não são as 25 ou 30 crianças que precisam de colo ao mesmo tempo, normalmente é um ou dois, e os outros percebem. E se não percebem nós também explicamos”. Joana Magno é professora de 1º ciclo há mais de dez anos. Acredita que a confiança e o respeito pela criança estão na base do ensino. E por isso na sua sala há sempre espaço para as emoções e “não existem mapas de comportamento porque o comportamento não é para controlar. Se as relações que se criam em sala de aula forem criadas com base na cooperação e não no medo tudo flui, tudo corre bem. Ali não existe «não chores», tal como não existe «não rias»”.

Quando é que o meu filho vai começar a ler?

A confiança no trabalho do professor é essencial para que a relação positiva com a escola se possa desenvolver e ser natural. Tal como é importante respeitar os timings de cada criança.

“Principalmente no 1º ano os pais perguntam muito «Quando é que o meu filho vai começar a ler?». E eu tenho de responder que não sei. É como se perguntassem aos pais quando os filhos são bebés «quando é que vai andar». Também não vão ter uma resposta concreta. Agora garanto que quando sair do 1º ciclo vai sair a ler e a escrever. E que também normalmente a aquisição da leitura e da escrita faz-se durante 2 anos, apesar de muitas crianças que no início do 2º período já lêem pequenas sílabas ou palavras no início do 2º período. Mas o foco tem de ser no caminho, no percurso.”

Descontrair e descomplicar é parte da chave para que tudo seja positivo e natural para a criança. Tal como mudar o chip sobre o que é ou não o sucesso.

Dr. Google e as chaves para o sucesso

“O sucesso é relativo. Digo sempre aos pais para ao invés de se focarem no que consideramos sucesso, se focarem no caminho. Se a criança está a aprender, se está feliz na escola, se criou uma boa relação com o professor e com os amiguinhos… Isto para mim são os pontos fundamentais. Por isso é que digo que o sucesso é relativo”.

E se as avaliações formais são uma forma de confirmação de aprendizagem, sabemos que existem ótimos e promissores alunos que por várias razões podem não o conseguir demonstrar em avaliações. O respeito pelos dons e talentos de cada um, ao invés da centralidade nas disciplinas impostas para todos é outra questão importante.  “O aluno está a ler? Sim. O aluno está feliz? Sim. Tem laços de amizade? Sim. Está integrado na escola? Sim. Sabemos que no futuro são as soft skills que vão fazer a diferença. O conhecimento toda a gente pode ter… Eles no 2º ano já brincam e dizem que vão ao Dr. Google. A capacidade de cooperação, de se relacionarem uns com os outros… Aí não vai haver nenhum Dr. Google. Aí entram estas duas chaves para o sucesso: a relação afetiva entre professor e aluno e a confiança. Isto é fundamental. A partir do momento em que há empatia e relação entre o professor e o aluno tudo o resto se desenvolve.”

Os pais têm medo que…

A não adaptação à escola, a incapacidade para determinadas aprendizagens, o não conseguir formar amizades, ou até às vezes questões relacionadas com os hábitos de alimentação são algumas das principais preocupações dos pais, sobretudo aquando da entrada no 1º ciclo.

“Para além da relação com os alunos é muito importante a relação entre professor e pais. O que eu peço sempre aos pais é para partilharem os seus medos e receios. E a minha sala é uma sala aberta. Os pais podem ir e assistir. E se eles têm dúvidas digo sempre para observarem o filho. Ele está bem? Está feliz? Não vale a pena estar com problemas porque a criança não diz o que é comeu ou o que é que fez…Isso tem a ver com a maturidade da criança e a noção temporal que eles têm que é diferente da nossa. O importante é perceber se eles estão felizes”.

Nas questões que podem levantar mais dúvidas a marcação de uma reunião com o professor é essencial para desfazer dúvidas ou potenciais mal entendidos. “O ensino é uma tríade em que escola, pais e crianças são sempre complementares. Se uns estão bem, os outros também… E é preciso os pais lembrarem-se que existe um período de adaptação.”

A Teia da Amizade e o Jogo do Novelo

 “No pré-escolar eles fazem muito trabalho de tapete, ou seja, no chão. E isso cria uma proximidade entre o adulto e as crianças. A forma como normalmente as salas de 1º ciclo e restantes são organizadas provoca um certo distanciamento. Eu, no 1º e 2º ano, continuo a fazer muito trabalho de tapete, no chão, em roda”.

O 1º período do 1º ano é totalmente dedicado a criar laços e relação com e entre os alunos. “Crio várias dinâmicas de grupo, como a teia de amizade. Por exemplo, no ano passado as minhas crianças já se conheciam mas não sabiam detalhes sobre cada uma. Então pedi para se apresentarem, fizeram um cartaz, mas tinham de fugir aos dados habituais de nome, idade… Tinham de dizer coisas como do que é que eles gostavam, qual era a sua cor preferida, o que faziam nos tempos livres. Eram crianças que se conheciam mas na verdade não sabiam quase nada uns dos outros. Quando são crianças que não se conhecem de todo uso muito o novelo de lã que eles atiram aos outros e vão-se apresentando, têm de agarrar, prendê-lo e no fim estamos todos agarrados cada um com a sua ponta. E a mensagem é que apesar das individualidades o que interessa é a amizade que nos une e é nessa relação que vamos construir tudo a partir daí”.

Hoje, tal como quando escolheu estar profissão, a motivação é a mesma: “Ser a diferença que quero ver no mundo. Adoro crianças e é nelas que está o futuro; se eu puder contribuir de alguma forma para este respeito, esta valorização, não só da criança mas do ser humano, vale a pena.”

Para os pais que queriam aprofundar a parentalidade consciente e a relação com os filhos, já estão abertas as inscrições para um retiro em Sintra, de 15 a 17 de Novembro. Mais informações aqui.

Pikme

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