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As histórias de uma ilustração

As histórias de uma ilustração

À conversa com Patrícia Furtado, ilustradora

Lembra-se dos livros das “Gémeas”? Já viu nas bancas o novo livro de Catarina Raminhos, “Minore e a Magia das Cores”? E as novas edições dos livros de Alice Vieira? Todos têm um ponto comum: Patrícia Furtado. É hoje uma das ilustradoras portuguesas mais reconhecidas e cria os desenhos que fazem parte do imaginário de muitas histórias infantis. E só vos podemos dizer: aqui há muito talento e paixão!

“Gosto de uma história com bons personagens. A história até pode não ser tão boa que se os personagens forem ricos eu vou gostar muito de ilustrar essa história. É isso que me dá mais gozo”. A descrição é de Patrícia Furtado. Mas tal como os seus desenhos falam pelas histórias que ilustra, o tom com que fala do que faz transmite uma paixão que vem desde sempre.

“O gosto pela ilustração mantém-se desde miúda. Já no liceu fazia imensos desenhos, mas achei que profissionalmente não era muito viável. Enquanto estive em Inglaterra, dediquei-me ao design e web-design, mas ia fazendo sempre ilustração.” No regresso a Portugal juntou-se ao “The Lisbon Studio” e começou a fazer ilustração a full-time.

Desde então já ilustrou dezenas de livros e é uma das referências da literatura infantil. “Baloiço Azul” de Rosário Alçada Araújo, “O Pavão Yoyó e o Tigre Gagá juntos fazem Yoga“, de Sónia Gomes Costa, “O Livro com Fome” de André Madaleno, “Rosa, minha irmã Rosa” de Alice Vieira, ou “Minore e a Magia das Cores” de Catarina Raminhos, são apenas alguns dos exemplos.

O livro com fome, de André Madaleno

A FOLHA EM BRANCO OU… O IPAD EM BRANCO

Se há muitos anos o papel era a única opção de ilustração, hoje o processo é mais digital. O iPAD é o companheiro de todas as horas, os undos não implicam borracha e o trabalho é mais célere. Mas nem por isso menos criativo. Porque a genialidade está na mente do criador.

 “Por norma as personagens vêm primeiro e o fundo depois, mas depois o todo é o que tem funcionar. Primeiro faço um esboço muito solto, depois por cima faço um esboço mais detalhado. Às vezes faço 3 esboços até começar a trabalhar no desenho final.” O processo não é sempre igual – depende também do grau de descrição que a própria história já traz. E da liberdade criativa que é dada pelo autor.

 “Normalmente as histórias chegam-me fechadas mas tenho tido muita sorte. Por exemplo, o livro ‘A minha rua é mágica’, da Rosário Alçada Araújo, não tem uma história complexa mas tem muitos personagens que são caracterizados mais pelas suas ações do que por características físicas. O que eu sei é aquilo que eles estão a fazer. E eu adorei criar aquelas personagens todas!”

A minha rua é mágica’, de Rosário Alçada Araújo

As gémeas já têm 18!

Foi a desenhar “As Gémeas” que o mundo da ilustração infantil lhe abriu as portas. Foi o 1º trabalho que ganhou, com uma ilustração ainda feita a lápis e pintada digitalmente. “Essas personagens são particularmente queridas porque depois as fiz em inúmeras capas e as vi crescer. Acabadas as capas da Enid Blyton, a Oficina do Livro pegou numa autora portuguesa, a Sara Rodi, para continuar os livros. Essas novas capas já fiz digitalmente e foi um grande desafio, fazer parecer que era feito a lápis e manter a coerência. Acabei por fazer capas muito giras!” E qual a capa favorita? “Aquela onde elas estão a guiar porque agora já têm 18 anos!”

As Gémeas

Para além das Gémeas, a pequena Minore (ou Maria Leonor no mundo real), ocupa também um lugar especial: “Ela é muito icónica. Tem 3 anos mas óculos vermelhos. Apanhá-la foi muito fácil porque ela em si já é um desenho animado. Ficou bem, os pais ficaram contentes e toda a gente a reconhece. Ela é mesmo gira, mesmo a forma de vestir, e estou desejosa que a Catarina faça mais histórias para a poder continuar a desenhar!”

Minore e a magia das cores, de Catarina Raminhos

Alice

Os livros da infância ficam para sempre na memória. Aqueles que habitavam as estantes e nos levavam para outros mundos. E depois há os autores icónicos e unânimes, como Alice Vieira.

Era também uma das favoritas de Patrícia que hoje está a fazer todas as capas dos livros da autora. “Há duas Alices Vieiras: uma é a das estantes de quando era miúda, dos livros que eu tanto gostava, algo inatingível; e depois há a Alice Vieira que conheci que é uma pessoa sem explicação de tão espetacular, super divertida, bem-disposta, sem filtros, calorosa. E portanto, se por um lado a Patrícia de 10 anos ficaria muito contente por saber que pode passar uma tarde na Feira ao lado da Alice Vieira, por outros as capas que eu estou a fazer não são para o mundo, são para ela. Quero mesmo que ela goste. Estou a fazer para ela. É particularmente especial.”

Rosa, minha irmã rosa – edição especial 40 ano, de Alice Vieira

Artur e as histórias à espreita

Agora há uma nova infância lá em casa: a do Artur. Nasceu há um ano e o coração ficou mais cheio. O tempo também. E por isso agora não há forma de procrastinar “Tornei-me muito mais focada porque senão não conseguia fazer aquilo que fazia. E tenho tido mais trabalho. Já fiz 5 livros desde que o Artur nasceu e já tenho 3 alinhavados. Quando ele vai dormir eu foco-me no trabalho e não dá para deixar para depois porque não vai haver tempo.”

Desenhar com e para o Artur é um dos objetivos. E já há histórias à espera na gaveta. “Gosto muito de escrever e tenho uma gaveta cheia de histórias prontas para ilustrar. Já tenho uma história sobre o dia em que a minha gata fugiu. Tenho já histórias do Artur. Quero fazer as histórias do Artur e do primo Afonso, as suas aventuras, porque acho que vai ser algo muito especial para eles.”

O Artur e o Afonso vão ficar com memórias únicas, muito especiais. Daquelas em que os desenhos transmitem emoções que vão um bocadinho para lá do que está escrito. Que não valem mais do que mil palavras, mas as completam. Ou substituem.

Pikme

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